janeiro 01, 2011

- Galeria [1] (Registros Familiares)

Memórias, emoções, tesões e alguns delírios

(Tempos vários: os bons tempos, os contratempos, cada coisa a seu tempo
e até mesmo algumas estranhamente intemporais)



Estava esperando você, sempre esperei por alguém. Ainda espero,
agora mais paciente do que antes pois, se nascí para esperar,
a paciência foi uma lição que eu tive que aprender depois.
Fui recompensado a cada vez, não me queixo, as pessoas vieram,
assim como você agora, curiosas, talvez desconfiadas, algumas
inteiramente involuntárias, outras sabendo perfeitamente o que
pretendiam. Nem todas eram boazinhas, mas sempre vieram.
Por elas eu vivi, por elas eu sobrevivi. Sem algumas delas
eu não estaria aqui.
 
Netos



Ghael, loiro como o pai, nascido em 2010.
 












 



 

   








Thiago, nascido em 2009, com Rafael e Thereza.






Do jeito que esses dois estão treinando, acho que 
pretendem produzir um novo time do Corinthians.
Ou seria do Palmeiras?...
 

 

















Este comedor de panquecas vai ser papai em breve,
tão logo resolva com a dna. Natureza uma
questão sobre datas.







A Natureza ganhou...
                Kadu nasceu dia 20 de fevereiro.













 
 


















Alice e Patrícia, as novas Babis.










Ser avô provocou em mim uma sensação para a qual só encontro uma palavra: transcendência.
Já havia experimentado transes passageiros das mais diversas origens, alguns mais longos, outros mais curtos. Êxtases místicos. Momentos de lucidez absoluta. Surtos de paz. Demônios eclodindo dos esgotos. Presenças de amor e harmonia. Uma percepção súbita da esfericidade da terra e sua posição no espaço, todas as galáxias se movendo no tempo. O sentimento histórico da vida, não só da minha vida, mas da vida humana, de todas as vidas. 
Ao tornar-me pai estive envolvido demais no turbilhão, em fazer coisas, prover a geração que chegava, provar competências, encontrar caminhos, buscar soluções, defender conquistas. Não tive tempo para sutilezas.
Porém, eis-me avô. Com uma mansidão digna e satisfeita, tão íntima que me perco em sua aura, tomo consciência da vida seguindo com sua beleza irrefutável, se distanciando de mim e, ao mesmo tempo, me levando junto.
Estarei lá, na sequência das gerações, sempre. Estarei no futuro desses bebês que arribam para sua estação. E que serão pais, e que serão avôs, e que, espero, sentirão a força inelutável da natureza dentro de si e a enormidade da sua projeção no mundo. Se perpetuando... me perpetuando, criando a possível eternidade. 
Isto é transcendência.

 


"... a vida é tão rara."



Século XIX


A imagem mais antiga de um antepassado: Alpínolo Casali,
combatente sob o comando de Garibaldi, na Itália, e possivelmente
um destemido combatente na cama, pois gerou farta prole,
entre os quais Alexandre Casali, meu avô materno.




Século XX



 
                    Lincoln de Oliveira, meu avô paterno,
                    aqui com sua segunda esposa, Carmem.









Rachel Caldas de Oliveira, minha avó paterna.



 Vô Alexandre e vó Rosalina, avós maternos, minha mãe Ancilla,
meus irmãos (da esquerda para direita) Lúcia, Eduardo, Cecília,
Fernando e eu, aquele balofinho desconjuntado ali da direita. 


















Meu pai,
Luiz Alberto Caldas de Oliveira,
o LACO, um homem carismático,
controverso, polêmico e empreendedor.


Em Ubatuba, Praia da Enseada,
em plena década de 50. Nem
sunga, nem bermuda, era shorts
mesmo, com ele mergulhávamos
em busca das garoupas, robalos
 e (eu) das lagostas enormes,
disponíveis nos 2 ou 3 metros.



  










Um momento doméstico,
flagrado na Av. São Luiz,
passando sua própria camisa...





 Bem, dessa progênie toda, saiu isso aqui:
os homens da família, sisudos, conservadores, formais...
Presididos pela dna. Ancilla (hoje com 91 anos): Murilo, Laquinho, Fernando,
Pedro Henrique, Rafael, Flávio (acima, da esquerda para a direita);
eu e o Eduardo, ladeando a véia.



Também com a nossa matrona nonagenária ao centro, as mulheres da família:
Acácia, Lúcia, Sílvia e Cleide (acima); Thaís e Ana Luiza (abaixo).
Aqui faltam ainda: a Cecília que não estava e a Carla que chegou depois...












Estava eu bem posto, tranquilo e fagueiro,
quando me aparece o boeing ai do lado.
Falem a verdade, como poderia eu deixar
de dar um crau...!!?
Resultado, galinha incipiente, casei.





"Natura non Facit Saltus"

Convém fazer uma pausa, recuperar o fôlego e fazer algumas reflexões sobre esta mulher. É - e será sempre - a mulher da minha vida, pelo menos desta vida. Acompanhem meu raciocínio: 23 anos de casamento, 34 de convivência, três filhos - os netos agora - crescimento, experiências, rala e rola, amigos, amores, mais rala e rola, aprendizado, felicidades, dramas, desafios, derrotas, tédio, nascimentos, renascimentos, mais rala e rola, mortes, lágrimas, gargalhadas. Nem que quisesse eu conseguiria encontrar uma maluca que topasse encarar mais da metade de uma existência ao lado de um débil mental como eu. Mesmo que encontrasse (afinal, está cheio delas por ai), não haveria tempo hábil, muito menos capacidade física, para viver tudo aquilo comme il faut. Portanto, acostumem-se, com todos os meus e seus defeitos, o posto é dela. Foi a comida mais cara da minha vida, em todos os sentidos... E vamos em frente.



Costumo chamar esta foto, gosto dela, de "Eu e Meus 5 Filhos". 
Pela ordem de idades: Laquinho (com o copo), Murilo (à esquerda),
à direita Rafael (ajoelhado) e Flávio (o caçula).
O Laquinho é meu afilhado, mas entra na conta do mesmo tamanho e jeito.
Ai, vocês me perguntarão: - Não está faltando um?
E eu responderei com um ar inocente de ovelha negra:
- Não, não falta ninguém. O 5º é aquele ali do centro, eu mesmo, de longe
o que me dá mais trabalho e dor de cabeça. Um verdadeiro desastre. 



A mãe e as crias, uma foto perfeita no casamento do Murilo, em 2009.


Outra foto perfeita, desta vez a família completa:
Flávio & Carla, Rafael & Thereza, Murilo & Cíntia.
Dna. Cleide feliz, mergulhada no meio. 













Esta é a Cíntia, uma das norinhas,
em imagem que roubei do Facebook
para fazer arte... he, he...
adoro fazer arte. 







Tina, outra norinha com quem fiz arte,
desta vez em foto escolhida pelo maridão.

















E aqui, a Carlinha, norinha do sul, devidamente roubada do orkut
para minhas artes.







Antes que ele reclame, e ele vai reclamar,
ai vai a foto do Laquinho devidamente batizada: Laco Neto.
Como ele mesmo diz, o escritório é pequeno mas a vista é ótima.
















Murilo, com uma expressão
muito típica dele mesmo.














Rafael, "extraido" de uma foto 
por achar que ele está bem
verdadeiro na seu jeitão.








E aqui, Flávio, o caçula,
mais ele mesmo do que nunca...




 













Como podem ver ele consegue ser bonito quando quer.




 

Egotrip





Morávamos na bucólica São Paulo da Garoa, 
próximo a uma chácara nos limites da cidade
(área onde, hoje, se encontra o Shopping Iguatemí),
com direito a Sessão Zig Zag, Circo do Arrelia
e manhãs de Tom e Jerry no cinema.












Os olhos, porém,  gravaram suas melhores
imagens nas paisagens intocadas e
translúcidas da Ubatuba dos anos 50.
Ao longo de mais de 10 anos, era nosso
destino nas longas férias de verão, 90
dias obedecendo à única regra imposta:
 anoiteceu tem que estar em casa !  


Uma infância feliz.


Somente quem já se embrenhou no meio da mata nativa incólume,
inundadade cores, seres, silvos, aragens, ecos, silêncios;
somente quem caminhou por praias onde a primeira, e única, 
pegada na areia é a sua; somente quem observou, dessa mesma
 praia, sozinho, especialmenteà noite, o lento girar dos céus
ao som dos pequenos ruidos de animais e das ondas do mar;
somente quem já mergulhou em suas águas cristalinas acompanhando
o movimento infinito das marés, das correntes e de toda fauna
e flora que ali coexistem; somente este privilegiado há de apanhar
em toda a sua profundidade a dimensão do equilíbrio,
da harmonia e da beleza da vida na Terra.





Colégio São Luiz: uma instituição formadora de homens de bem.
Parece que, comigo, a coisa toda não funcionou. 
Até tentei, fui coroinha, fiz retiro, pensei em ser padre
(ainda bem que me avisaram a tempo que o celibato não ia "cair"). 
Mas valeu, aprendí sobre a importância da aparência, da omissão
em causa própria, da dissimulação, da mentira necessária, do despiste,
da truculência cristã, dos valores em espécie. Aprendí que Deus,
além de excelente negociador, é fundamental para que se possa pecar
sem culpas. E o mais relevante, me apropriei dessas ferramentas,
sabendo reconhecê-las e utilizá-las por toda a vida.
Acabaram me levando para fazer psicoterapia...
 
Promissor rapagão bem apanhado, de família, estudante de
administração de empresas e respeitador das leis, moral
e bons costumes. Eu tinha aprendido no São Luiz, todo
mundo achava que eu era normal, inclusive eu.






Início dos anos 60, carnaval em S. J. do Rio Preto,
Roberto "Lampadinha", eu e Alexandre. Acima, à direita,
Ana Luisa, paixão dos 15 anos. Por essa ocasião eu já poetava,
fazia serestas, compunha, fumava, fumava, bebia e achava
a burguesia um saco. Meus envolvimentos ideológicos e
doutrinários possuiam amplo espectro: iam da esquerda
(necessariamente festiva) ao Opus Dei. Mas as putas... ah... 
essas sim possuiam uma agenda programática consistente,
efetiva e suculenta.





PUC São Paulo. O ano, 67.
De dentro do bar em frente, minha cerveja sem tempo para esquentar,
eu assistia o indômito Zé Dirceu trepado em cima de um fusca,
vituperando para a claque estudantil todas as palavras de ordem da época.
Aquele cara tinha alguma coisa que não batia. Era uma incoerência política,
ele, com aquele discurso, ser galã e seduzir quase todas as meninas
que eu, timidamente, tentava conquistar sendo bonzinho, sensível e poeta.
Além disso, eu tinha conhecido umas gostosas que, para os padrões vigentes
na minha cabeça sacristã, eram até bastante liberais e divertidas.
Não tive dúvidas: optei pelas gostosas, coisa que, aliás, mantenho até hoje
como default. Mesmo sem saber, enquanto o  se engajava na dele,
eu estava começando minha própria revolução.







Bem, primeiro unzinho...



















                ...depois, preparar a caipirinha.





































Foi nesse tempo que comecei a gostar de bichos...






















O que posso dizer é que, contrariando tendências e sem
saber como, eu sobreviví...



O urso era muito sábio, me ensinou muitas coisas.
Uma delas, a dividir a vida em estações: há tempo para
hibernar, mas também deve haver tempo para aprender, 
para procurar, para caçar, para lutar e acasalar.
Sempre achei essa última parte meio besta e foi uma
das poucas coisas do urso que não adotei para mim.
Em uma das nossas primeiras divagações, ele olhou para
mim com aquela cara de urso, e sentenciou:
- Vai dar trabalho, mas se você quer ser um urso que preste,
a primeira providência é encontrar uma toca. Ela será seu
esconderijo e fortaleza, seus amigos devem ter por ela, respeito;
seus predadores, medo. E será também o seu lugar de ficar
sozinho. Todo urso é um solitário.
Mais que depressa, eu saí pelo mundo procurando uma
gruta que servisse de toca e comprei aquela ali de cima,
financiada pelo BNH. Desde então, nunca mais deixei de 
ter uma, mesmo que fosse só mesmo na minha cabeça. 


  Aí, não teve jeito...                                                                                                  ...tive que trabalhar...

 ... e trabalhar...

 ... e trabalhar...

... e, sob o peso da lei, trabalhar.


Claro, sempre tinha uma toca onde me enfiar...

... alguns momentos de lazer...
...mas voltava a trabalhar. Hmmmm... good job! 


Muitas vezes trabalhava sozinho...

... em outras ocasiões, acompanhado:


 Todavia, o fato é que não se consegue agradar todo mundo.





Esse Bode é louco!!!



Nada disso, eu apenas me identifico com o Obelix em algumas coisas.
Na objetividade, por exemplo. Ele existe só para entregar menires,
caçar (e comer) javalís, ser amigo dos seus amigos e bater em
romanos quando surge alguma oportunidade, o restante não é
com ele. Além disso, como eu, caiu no caldeirão da poção
mágica quando era pequeno e os efeitos da mistura
se tornaram permanentes. A única diferença é que,
no caso dele, o caldeirão era gaulês e no meu,
escocês. Ele ficou eternamente forte e eu,
para desgosto dos meus romanos e 
bardos, eternamente bêbado.

Por falar em amigos, dizem que casa
na praia, barco e chácara de fim de semana
(alguns, eu entre eles, incluem mulher nessa lista)
são coisas que você nunca deve possuir. Entretanto,
é da maior importância que você tenha amigos que sejam
possuidores de tais sortilégios. Foi o meu caso e, agora, depois
de driblar o Bode, eu entro na fase final desta minha excursão ególatra.

Ilhabela, um paraiso de amigos.  

                                                    Opsss...   
... esta fica melhor censurada.   

Nunca tive nada a reclamar, somente do que agradecer aos tantos
amigos que tive e tenho. Sempre serei grato por isso.

Aventurei-me, porém, em outras trilhas


Voltei a explorar a selva de Ubatuba












                          mais bares,      



Frequentei reuniões sociais,



 bares,   
          
























                     

                                                                                                                                 ... alguns piqueniques,    
                         algumas festas...    
                                                                                                                                                                               


e até mesmo uns e outros sites e sítios.
Vejam vocês que vida atribulada, de luta e esforço, dedicada ao aprendizado e crescimento pessoal. 
Tudo isso, sem abrir mão em nenhum instante sequer, das responsabilidades e deveres familiares.

Aqui, esposo exemplar, zelando fervorosamente pela integridade física e moral da
patroa em seus folguedos momescos; defendendo até o desfalecimento aquilo que
o vulgo chama de recesso do lar (pessoalmente, prefiro chamar de testa).

 E aqui, pai extremoso, preparando-se para mimar os filhotes - em famélica fase
de crescimento - com seus quitutes prediletos num daqueles inesquecíveis
almoços de domingo no recesso do lar (desta vez, trata-se do nosso apê
mesmo... uma das incontáveis tocas onde produzí com entusiasmo 
e carreguei com orgulhosa diligência a prole voraz e indigesta). 


Com o tempo acabei virando bode, habitante das altas montanhas,
impassível aos largos cenários que descortina. Um animal observador, 
rápido, perito em escarpas e precipícios, absolutamente indiferente 
à morte que qualquer queda poderá significar. Um pequeno detalhe, 
na língua inglesa to bode significa pressagiar. Aprendi a antecipar 
certas forças da natureza e isso tem me servido muito na sobrevivência 
diária. É com ele que vou agora, encarnando meus vários papéis de 
doidão, executivo, sofisticado, reles, expiatório (com várias leituras) 
e, entre outros tantos, aquele que mais gosto, de solitário cúmplice 
dos humanos e humanas em bom estado. O poeta feliz, o bobo da corte,
o descrente, o displicente, o incrivelmente acreditável, o blogueiro.



Para encerrar, celebro a vida através desta obra prima de Luiz Bonfá,
cantada no filme Orfeu Negro e suas versões instrumentais, logo abaixo.
Escolha a sua.




Mesmo com as tristezas e dramas que sempre estão
por trás das alegrias e do amor, é lindo este carnaval.



Ao violão...



... ou com um sabor inconfundível de quarta feira de cinzas.



Amigos

(Esta galeria já ficou mais longa do que esperava. Portanto prossigo em um novo
volume - Galeria [2] - para o registro de quem fui amando pelo caminho).



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  uma pessoa decente, adicione o devido crédito a quem o
  desenhou e escreveu. Adicione: aluiziocasali.blogspot.com
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  criticar, elogiar ou apenas dizer que passou por aqui.
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* Este volume está em construção permanente, mesmo após
  sua publicação inicial, será atualizado com novas postagens.
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* Obrigado, volte sempre.

7 comentários:

Pandora disse...

espera só mais um tiquim que eu já chego...rsrs

Aluízio Casali disse...

Será um tiquim rápido, Pan, pois minha galeria não é linear. Enquanto isso, vá pensando na imagem que irei usar para te retratar... rs

Pandora disse...

confio em ti,rsrs...aiiiiiiiiiiiiiii

Pandora disse...

Nunca tinha visto um urso de bunda branca e gostosa...

Pandora disse...

Ilhabela é tudo de bom, quem já viveu a ilha, sabe...
Mas aquela pelado deitado tá o must...digna de um dos "Jarbas" da Ju, hihihi...^^
e sunga azul? photoshop! huashuash

Pandora disse...

Isto de se viver quase metade da vida com uma pessoa é marcante, ninguém no mundo nos conhece mais do que ela...impossível não olhar para trás e ter gratidão, ter amor e carinho por tudo o que foi vivido, compartilhado, chorado e sorrido. São pessoas muito ricas aquelas que saber enxergar esta oportunidade na vida.
Parabéns, Alu!

Cle disse...

Como mulher da sua vida ... quero que saiba que todos os momentos, todos eles foram de uma riqueza imensa.Poucos viveram o que vivemos sempre com tanta intensidade. Somos companheiros de várias viagens ... e muitas outras virão. Te amo